segunda-feira, 7 de março de 2016

DESCOBRINDO OS ALIMENTOS



Acreditando na oportunidade de criarmos em nossas crianças uma melhor relação envolvendo alimentação e saúde, desenvolvi um curso destinado à crianças de 8 a 12 anos, chamado " DESCOBRINDO OS ALIMENTOS". 


 Este curso visa o despertar de uma nova  criança para uma alimentação saudável e balanceada, a relação mais próxima com a natureza, ao resgate cultural e afetivo das tradições culinárias, e acima de tudo,  busca contribuir para a descoberta do enorme prazer que sentimos ao comer e ao cozinhar. 





Vivemos atualmente com a triste realidade da obesidade infantil aumentando rapidamente e comprometendo seriamente a saúde de nossas crianças,  roubando da infância seus melhores momentos, com crises de baixa auto-estima, depressão, ansiedade, insatisfação com o próprio corpo.



No outro extremo estão as crianças que não comem, que se negam a experimentar, que se utilizam de suas restrições alimentares para manipular pais já culpados pelo fracasso nas refeições de seus filhos.



Infelizmente a sociedade atual tem muitos motivos para se justificar quando o assunto é uma alimentação melhor, mais consciente e saudável. O cozinhar em casa é visto como trabalhoso, caro, complicado, cansativo. E a rotina é realmente muito difícil de ser quebrada. 





Mas, desta forma acabamos limitando o paladar de nossos filhos ao fácil e ao rápido: macarrão instantâneo, nuggets, salgadinhos, refrigerantes, biscoitos, alimentos processados..., em outras palavras, estamos alimentando nossos pequenos com produtos que escondem excesso de SAL, AÇÚCAR E GORDURA.  Vamos procurar o livro de receitas da família, e resgatar os deliciosos pratos da nossa memória?  


Está na hora das crianças comerem comida de verdade, colorida, variada, saudável e equilibrada. Independente da existência ou não de algum problema de ordem alimentar, está na hora de levarmos nossos filhos para dentro das cozinhas, das hortas, das feiras livres. 

Está na hora de darmos o conhecimento à eles para que as escolhas futuras sejam bem feitas.  Não podemos deixar na mão da indústria alimentícia esta responsabilidade.







O curso "DESCOBRINDO OS ALIMENTOS" é dividido em 10 aulas, onde
apostando na curiosidade natural das crianças, trabalhamos o experimentar e o desenvolvimento do paladar através de brincadeiras lúdicas com os alimentos. 






Neste curso vamos ensinar sobre grupos alimentares e nutrientes, apresentar diferentes ingredientes, criar receitas, plantar ervas, cozinhar, fazer inúmeras degustações, aprender a ler rótulos, enfim, trabalhar de diferentes formas para garantir diversão, consciência e prazer ao comer.




quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Para um almoço especial!




Dentre todas as massas, a que mais gosto é o gnocchi, ou, para nós brasileiros, nhoque. Carrego nas memórias de infância minha nona indo para cozinha preparar o prato para o esperado almoço de domingo com a família. Amo nhoque, adoro fazê-lo, comê-lo e reinventá-lo. Meus filhos já são experts em enrolar e cortar nhoques para me ajudar. Mas como todos os cozinheiros amadores, eu também já me apavorei com a ideia de fazer a massa em casa.
O que me incentivou a tentar pela primeira vez foi imaginar que dentre todos os tipo e formatos de massa, talvez o nhoque seja a mais fácil. Com um pouco de tempo, paciência e persistência, certamente a prática virá e você poderá tornar este prato sua especialidade, uma marca registrada. Adoraria receber uma mensagem contando que minha teoria deu certo!
            Para nos situar melhor, o nhoque foi provavelmente o primeiro formato de massa criado pelo homem. Seu nome significa “caroços”, derivando da palavra “nocchio”, nó da madeira. São pequenos e cilíndricos, sendo feitos principalmente de semolina ou farinha de trigo ou ainda pão ralado. O mais recente de todos é o de batata. Este, surgiu apenas no século 16 com a introdução da batata na Europa.
No Carnaval de Verona, desde 1531 até hoje, festeja-se o “baccanal del gnocco (singular de gnocchi)”, onde é eleito o “papà del gnocco”, que distribui nhoque entre a população. No Brasil homenageamos o prato todo dia 29. É o famoso nhoque da sorte, em que se coloca uma nota ou moeda sob o prato. Segundo a lenda, um casal de velhinhos deu um prato de nhoque a um mendigo num dia 29 e todos os três tiveram ganhos inesperados em seguida.
Tradições e lendas à parte, o consenso do nhoque perfeito é que este tem de ser leve e delicado. A maior dica para o acerto talvez seja no controle da umidade. A batata precisa ter pouca umidade, podendo ser assada (coloque-as sobre uma cama de sal grosso, faça alguns furos na casca e leve ao forno) ou ainda cozida com a casca. A quantidade de farinha utilizada também deve ser pequena e a massa não pode ser muito trabalhada, apenas o suficiente para ficar homogênea. Há ainda os chefs que aboliram os ovos da receita, o que dificulta na hora de enrolar a massa. O nhoque aparece hoje em inúmeras variações, fugindo de seus ingredientes básicos e dos molhos mais comuns: pesto, manteiga e sálvia, gorgonzola e tomate.

Nhoque da minha avó
Encha a mesa com pessoas queridas e este belo prato de massa.
- 800 g de batatas Asterix
- 1 ovo batido
- 150 g de farinha de trigo + extra para enrolar
- 1 colher de sopa de azeite de oliva
- Sal
Preparo

Pré-aqueça o forno a 200ºC. Fure com o auxílio de um garfo a casca das batatas e leve-as ao forno numa cama de sal grosso até ficarem bem macias. Depois deixe esfriarem um pouco e corta-as ao meio, retirando a polpa com a ajuda de uma colher e passando as batatas ainda quentes pelo espremedor direto numa tigela. Com uma colher de pau, misture as batatas com o ovo, a farinha de trigo, o azeite de oliva e o sal. Mexa apenas para unir os ingredientes. Numa superfície enfarinhada, despeje a massa de batatas e forme uma bola. Rapidamente divida a massa em 6 porções e faça longos rolos.
Corte os nhoques em pedaços de três centímetros. Se quiser moldar os nhoques no seu formato mais tradicional, pressione cada pedaço de massa com o polegar nas costas de um garfo. Cozinhe em bastante água. Seu tempo de cozimento é muito rápido, assim que subirem na água estão prontos. Escolha seu molho preferido e bom apetite!

Algumas outras opções que adoro
- Nhoque de queijo de cabra com cebolas caramelizadas e tomilho: 500g de queijo de cabra bem misturadas com dois ovos, sal e pimenta-do-reino. Aos poucos vá adicionando ½ xícara de farinha de trigo até conseguir uma massa que desgrude das mãos. Coloque-a 30 minutos no refrigerador. Em seguida corte e cozinhe-os. Sirva com cebolas caramelizadas e tomilho.

- Nhoque de azeitonas pretas com molho de tomates e azeitonas: 500 g de batata cozidas e amassadas bem misturadas com três colheres (sopa) de farinha de trigo e 1 ¼ xícaras de queijo parmesão. Em seguida misture com 2 e ½ colheres (sopa) de pasta de azeitona preta e uma colher (sopa) de azeitonas pretas picadas. Em seguida, corte e cozinhe os nhoques, servindo com molho de tomate com azeitonas pretas e manjericão.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Quem tem pressa, come cru!







     Que bom!!! Apesar de muitos ainda terem grande resistência em comer carne crua, temos vários apreciadores em diferentes culturas, daí pratos como o Steak Tartare francês, a Mett ou Hackepeter  alemã, o Filet Américain belga e ainda a curitibana Carne de Onça.

     Veja a diferença entre eles:

-       Steak Tartare: originalmente carne de cavalo, molho tártaro e gema de ovo. Hoje em dia é feito com carne bovina e recebe uma combinação de diferentes condimentos, como: mostarda, alcaparras, pepino em conserva, cebola, molho inglês, gema de ovo,... Sempre servido acompanhado de fritas ou salada verde.

-       Mett ou Hackepeter: carne de porco moída com sal, pimenta, alho, cebola e semente de erva doce. Servida com pão.

-       Filet Américain:  sua receita é a mesma do Steak Tartare, mas leva adição de maionese e normalmente é servida com pão.

-       Carne de Onça: é uma versão brasileira de todas as opções acima, tendo sido difundida pelos  imigrantes alemães no Sul do Brasil, principalmente em Curitiba. Seus ingredientes consistem numa mistura de carne bovina, mostarda preta, cebola, conhaque, alho, páprica, cebolinha verde, gema de ovo, ... tudo muito misturado, servido com broa úmida de centeio. Seu nome vem do péssimo hálito de seus apreciadores!




     Como adoro lendas, vamos a que explica a origem do steak tartare com mais drama,  deixando para os tártaros, povo nômade da Ásia Central que se alimentavam de carne crua, a responsabilidade de sua criação. A carne era armazenada sob o lombo do cavalo, onde o alimento durava mais e amaciava ao longo do dia. O povo da época creditava à ingestão de carne crua a grande força dos tártaros liderados por Átila, o rei dos Hunos, e começou a difundir o prato entre quem sonhava ganhar a força dos nômades.

     Outra historinha para sua  origem foi quando Kublai Khan (1215-1294), neto do grande líder Genghis Khan, invadiu Moscou, e ele e seus guerreiros introduziram a carne moída de cavalo aos moscovitas, que tempos depois foi chamada de steak tartare.


     Agora vamos aos fatos reais:  primeira descrição do Steak Tartare foi dada por Jules Verne em 1875 no seu livro Michael Strogoff.

     Mas foi apenas em 1926, quando o molho tártaro foi incorporado à carne, por Joseph Niels do Restaurante Le Canterbury em Bruxelas, que surge o Filet Américain. A receita rapidamente cruza a fronteira da Bélgica com a França, mas só ganha fama mundial depois da guerra, quando turistas americanos descobrem o prato na Europa.

     O nome na França passa a ser Steak Tartare, que deriva da expressão "à la tartare",  servido com o conhecido molho tártaro.

     A Mett ou Hackepeter e a Carne de Onça não tão famosas, acabaram por não ter nenhuma lenda envolvendo sua origem. Nem eu encontrei qualquer informação para enriquecer meu texto.

     Então volto para o steak tartare, um "old-fashion" dentro do mundo da gastronomia, totalmente anos 80 que teve sua primeira nova interpretação nos arredores de  1990 pelas mãos do francês Jean-Georges Vongerichten, quando este trocou a carne bovina pelas beterrabas.

     Depois rapidamente surgiram os tartares de atum, salmão, tomate, carneiro, abacate com caranguejo, ...e por aí um universo sem fim de criatividade!!!

     Passou alguns anos esquecido, voltando recentemente aos cardápios dos grandes restaurantes. Nos Estados Unidos é possível encontrá-lo em diferentes versões, temperado com canela no Annisa em NY, com gengibre, semente de mostarda e picles de pêra no Joule em Seattle, no Takashi em NY, de wagyu com shoyo, alho, miso e óleo de gergelim, ... e por aí vai. Já no Brasil, temos um restaurante em São Paulo, do chef Erick Jacquin, especializado neste prato, é o Tartar&Co, onde serve até pastel recheado com tartare.




     Este prato utiliza carne de gado crua picada na faca (originalmente, é claro), podendo ser filé mignon, coxão mole, miolo de alcatra, patinho ou qualquer corte de carne que não apresente muita gordura. A tradição pede que seja "picada na ponta da faca", tratando a carne com muita gentileza, mas muitos discordam que o tempo de contato da mão com a carne, pode ser mais romântico, mas acaba esquentando a carne sendo mais rápido e eficaz o uso do moedor. Aqueles nem tão preocupados assim com a temperatura da carne vão até de pilão e almofariz.

     Atualmente qualquer prato que utilize a carne, peixe e até mesmo frutos bem  picados e servidos crus, são chamados de tartares.

     Combinações que prometem dar certo:

-       Salmão + anchovas + alcaparras + ovos cozidos
-       Atum + avocado + shoyo
-       Tomate + pepino + queijo feta
-       Vieiras + abobrinhas + miso + shoyo

 Na escolha das receitas para hoje, só poderia ir de Carne de Onça, afinal nem todos os dias encontro uma receita curitibana dando sopa!




Carne de Onça

Ingredientes

-       500g de patinho picado na faca
-       1/2 cebola roxa bem picada
-       1/2 cebola branca bem picada
-       1 dente de alho bem picado
-       1 colher de sopa de conhaque
-       1 colher de sopa de mostarda Dijon
-       1 colher de chá de páprica doce
-       1 colher de chá de molho inglês
-       2 colheres de sopa de alcaparras picadas
-       2 gemas
-       sal e pimenta Tabasco a gosto
-       1 xícara de cebolinha verde fatiada bem fininha
-       5 fatias de broa

Preparo

Coloque a carne numa tigela sobre outra tigela com cubos de gelo e um pouco de água. Em seguida adicione todos os ingredientes à carne, reservando metade da cebolinha verde para utilizar depois. Ajuste sal e pimenta e sirva em seguida sobre a broa. Decore com a cebolinha verde restante.